Já perdi muitas anotações em gavetas. Este blog deve ser mais seguro! A academia, o trabalho argumentativo, a pesquisa bibliografica (com certeza, muito importantes), quase nos impedem de fazer filosofia, de pensar livre e interdisciplinarmente. Temas outros, por vezes mais importantes, ficam excluídos por falta de tempo, de percepção e vontade. Esses escritos são aquilo que não quis deixar perder no fundo da gaveta e da vida, mesmo sob o risco de ser bobo, como todo pensamento embrionário é.
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quinta-feira, 8 de março de 2012
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
La vie en Rose
O quanto o mundo dominado pela razão que se acredita eficiente somente a partir de uma frieza e imparcialidade (falsas), constituído e construído a partir das proposições meramente masculinas em detrimento do feminino (e nesse caso nem precisamos fazer diferença de sexo biológico, embora essa também fosse verdadeira, não obstante a falsidade dessa divisão), exclui a sensibilidade e o não idêntico (em termos principalmente do diferente da maioria estatística), poderia ser atestado, especialmente pelos indivíduos do sexo masculino, quando estes passam algumas horas somente rodeamos por homens. A conversa nos meios masculinos (barbeiros, botecos, repúblicas masculinas, etc.) é a mais banal possível, a mais comum; inclui desde futebol, até piadinhas homofóbicas – o que de fato não nos dá uma grande amplitude de assuntos, talvez dois ou três a mais. Se a conversa é em frente à TV, não raro será interrompida por uma exclamação grosseira de um estranho desejo sexual pelas “gostosas peitudas” ou “bundudas gostosas”, seguido por adjetivos como “vagabunda”, “vadia” entre tantos outros; programas que fazem chorar serão sempre “chatice”, seguidos de olhares pra ver quem se emocionou; o que não é diferente em relação aos programas educativos e politicamente corretos: “chatice”.
O assunto, quando em bando (não é demais lembrar que “bando” e “bandido” têm a mesma etimologia), nunca será sobre “fraquezas”: não há espaço para desabafos, amores, tristeza... Enfim, nunca se podem demonstrar sinais de “bixice”. De tanto conviverem entre si, acrescente-se, reprimidos, acreditando que um pouco de elegância na fala, na postura corporal, um pouco de individualidade que se permita “fraquezas”, depõe contra sua masculinidade (o que também é estranho que alguém deseje ter), deixam mesmo de conseguir se expressar, de entender a si mesmos, até não sentir mais, e então, não entenderão mais nada: para que são importante políticas públicas de inclusão, leis contra preconceitos, etc. Em detrimento disso tudo, serão favoráveis às políticas que propõem solucionar tudo a partir da violência, como a partir do BOPE, do controle de natalidade para famílias de baixa renda, da diminuição da menoridade penal, etc. – medidas tipicamente masculinas, idênticas ao longo da história. Por isso uma saída péssima seria que o feminismo (felizmente cada vez mais refinado) se assemelhasse ao machismo, que a imagem da mulher “moderna” reproduza a do homem prático, do empresário de sucesso, do individuo bem resolvido, do homem rígido, isto é, da insensibilidade, da dominação de si em detrimento da vida pessoal.
A boa noticia é que o “macho dominante” tende, por enquanto, a desaparecer. Sinais disto dão a chamada “geração Y”, com seus (nossos) blogs, e seu “egoísmo” e a crescente onda do politicamente correto, que ao menos publicamente envergonha (pela primeira vez na história) o reacionarismo típico dessas figuras.
O título dessa nota cantava Edith Piaf. E assim dava dicas para o vindouro desenvolvimento dessa questão...
O título dessa nota cantava Edith Piaf. E assim dava dicas para o vindouro desenvolvimento dessa questão...
(São João del Rei, 5 de setembro de 2011)
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