Como as pessoas leem os textos do meu blog:
- Se a conclusão corrobora com algo que já acreditavam antes, concordam com o texto.
- Se a conclusão não corrobora com algo que já acreditavam antes, não concordam com o texto.
- No primeiro caso, a pessoa me encontra na rua e diz que gostou muito e começa a relatar o que ela pensa sobre o assunto: o que muitas vezes não entendo.
- No segundo caso, ela diz que gostou do texto, porém não concorda inteiramente com algumas coisas.
Como as pessoas deveriam se comportar com quaisquer textos que se deparam:
ler e descobrir se concordam ou não, tendo por base o que está escrito no texto; se aquilo não é algo que ela acredita, deveria tentar "rebater" ou então aceitar.
- A primeira postura (a de quem concorda) é totalmente aceitável, porque quando estamos pensando sobre um assunto, temos uma tendência a ver aquele assunto por todos os lados.
- Já a segunda é arrogante e covarde. A pessoa diz que gosta ou porque tem medo de me chatear, ou porque não consegue pensar contra-argumentos e não é humilde o suficiente para se deixar abater por algo que seja diferente do que ela mesma pensa.
Já perdi muitas anotações em gavetas. Este blog deve ser mais seguro! A academia, o trabalho argumentativo, a pesquisa bibliografica (com certeza, muito importantes), quase nos impedem de fazer filosofia, de pensar livre e interdisciplinarmente. Temas outros, por vezes mais importantes, ficam excluídos por falta de tempo, de percepção e vontade. Esses escritos são aquilo que não quis deixar perder no fundo da gaveta e da vida, mesmo sob o risco de ser bobo, como todo pensamento embrionário é.
terça-feira, 17 de julho de 2012
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Filosofia em directo*
Quando se pergunta a um pesquisador de filosofia (ou
filósofo) qual é o tema que ele estuda, normalmente se tem em mente uma
pesquisa acadêmica, com orientador, projeto de pesquisa, órgão financiador (de
preferência) e tantas outras exigências burocráticas.
É
fato que o ato de se dedicar a escrever um projeto sobre um tema que se tem
interesse em pesquisar, fazer um levantamento bibliográfico, ter um
financiamento, justificativa e discussões com um orientador são relevantes para
uma boa pesquisa. Porém, tais coisas não são condições necessárias para se
fazer filosofia. Esquece-se que de uma coisa importante do filosofar autêntico;
uma coisa próxima daquilo que os antigos chamavam “admiração”. Esquece-se que
muitas vezes a “admiração” não pode esperar que se termine uma pesquisa para se
iniciar outra e que, se tudo aquilo que interessa a um filósofo pesquisar
tivesse que receber um tratamento de fundo acadêmico, este pouco poderia
pesquisar; e o pior: pouca coisa o admiraria.
Estranhamente,
as pessoas que exigem pesquisas acadêmicas por parte dos filósofos são as
mesmas que negam o denominador “filósofo” a “meros” acadêmicos de filosofia.
Enquanto
que a academia tem o poder de proporcionar boas pesquisas, uma vez que
embasadas, aprofundadas e bastante refletidas, por outro lado pouca ou nenhuma
filosofia autêntica tem produzido. Há alguma coisa séria aí.
“Só quem não se acomoda ao princípio da
troca pode apresentar-se como garante da ausência da dominação; só o inútil garante
o enfraquecimento do valor unitário” (Theodor Adorno, Teoria Estética, p. 342)
*O título é em
referência ao livro homônimo do professor e filósofo Desidério Murcho
(Ouro Preto, 2 de julho de 2012)
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Adolescências politicamente corretas: nossa massa de manobra!
Sou de esquerda. Grande parte dos meus
amigos e conhecidos atualmente o são. Não tive, no início de minha formação,
grande incentivo a isso. Não que meus familiares não fossem de esquerda, porém
não havia abertamente uma formação de minha consciência esquerdista. Na verdade,
havia em minha “sociedade” infanto-juvenil uma apoliticidade generalizada – e
qualquer desinteresse político está mais relacionado ao direitismo que ao
esquerdismo por seu caráter mantenedor da vida tal como ela está e de uma
aceitação a-crítica do mundo tal como ele se apresenta. Acredito que isso era
algo geral da sociedade brasileira há mais ou menos uma década atrás: algo que
se chama “alienação”.
É fato que isso é algo diferente do que
vemos hoje, pelo menos no que nos transparece na web, em seus blogs e em
suas redes sociais – o chamado politicamente correto, em suas diversas
vertentes: a “onda verde”, a sustentabilidade (palavra não prevista no
dicionário de meu word 2003), as
várias marchas pelas minorias iniciadas pelas redes, o grande compartilhamento
de informações deste teor, a reprovação massiva das grandes corporações
midiáticas, etc.
Diferentemente do que ocorria há uma
década atrás, há hoje uma grande demanda por novas estéticas (enquanto era a
rede Globo que as ditava), há uma maior aceitação da sensibilidade, há um maior
incentivo para que as pessoas expressem e tenham uma opinião a respeito de
assuntos que há 10 anos eram tidos como desinteressantes. E nisso, as
ferramentas da web e as novas
tecnologias tem um papel fundamental, por propiciar lugar para quem queira se
expressar e um espaço de réplica da sociedade ao que é dito (e ao que não é
dito) pelos médias “oficiais”.
Me parece apressado demais associar esse
fenômeno de adesão ao ideário de esquerda à chegada de um partido de esquerda
ao poder, uma vez que para isso seria necessária toda uma transformação da
grade curricular das escolas brasileiras e uma substituição gradual dos
professores atuais por aqueles que passariam à “pregar” idéias da esquerda. Não
me parece o caso. Além do que, seria necessário que coincidissem o número de
eleitores que votam nos partidos da esquerda com aqueles que compartilham
informações ditas “de esquerda”.
Pelo contrário (e essa é uma mera
opinião, talvez arraigada com um alarmismo e um conseqüente exagero de minha
parte), me parece haver uma adesão a
priori da juventude (a chamada “Geração Y”) ao ideário de esquerda. Me
parece que há um tipo de irracionalismo na base da adesão a essa vertente
ideológica específica, uma espécie de desejo de fazer parte de algo
emocionalmente atrativo; algo que se relaciona com o que a psicóloga
norte-americana Turkle define como um “sentimento de querer ter um sentimento
para partilhar”. Vê-se isso na aceitação a-crítica de tudo que se coloca
aparentemente a favor do que é de esquerda e a rejeição apressada do que se
parece de direita – mesmo que não o seja. É isso que está na base da “ditadura
do politicamente correto”, da qual tanto se fala hoje em dia.
Ora, poderíamos dizer que isso é algo bom
que ocorre em nossa sociedade, uma vez que pela primeira vez na história o
ideário de esquerda é “situação”, enquanto que há poucas décadas quem era de
esquerda era considerado um mau cidadão – que é, notadamente, o que se pensa de
quem se diz “de direita”. De fato, pessoalmente, preferiria uma ditadura de
esquerda a uma ditadura de direita – se “esquerda” e “ditadura” não fossem, a
meu ver, coisas que não se coadunam.
Stuart Mill – filósofo utilitarista
britânico, de esquerda (o primeiro filósofo a defender, por exemplo, o direito
das mulheres) e radical defensor da liberdade – apresenta dois argumentos na
defesa da liberdade de opinião (liberdade esta que significa a não existência
de pressão social por sobre a formação de individualidades), que são
resumidamente os seguintes: a sociedade só tem a ganhar com o conflito aberto
de idéias e que, porque os seres humanos erram diversas vezes, a ditadura da
maioria corre sérios riscos de incorrer em um erro generalizado – pelo
contrário, no debate aberto de opiniões é preciso pensar criticamente para
defender o que se acredita e isso diminui as chances de erro.
Afora a possibilidade de nós de esquerda
estarmos enganados sobre nossas crenças, a adesão a-crítica das massas ao
ideário esquerdista pode ser nociva de outra forma: se pessoas aderem à
esquerda com base em algum tipo de reflexão, eles são capazes de defender seus
ideais racionalmente. Saberão distinguir o que é algo que realmente importante,
daquilo que é irrelevante. Não haveria uma aceitação ou compartilhamento de
crenças (e links da web não deixam de serem crenças
massivamente difundidas) na base do “todo mundo está partilhando”. Vê-se que
hoje grande parte das pessoas que partilham links,
caso surja uma discussão, é incapaz de dizer algo importante na defesa daquilo.
Isto é, o que é que impede que daqui a uns anos partilhem material oposto
pensando ser “de esquerda”? Penso que a própria ditadura do politicamente
correto já tem o efeito oposto ao que uma pessoa verdadeiramente de esquerda
deseja, se pense no forte apelo publicitário que atingem as propagandas que são
proibidas por serem “politicamente incorretas” – fato já utilizado
maliciosamente pelos publicitários. E se daqui a alguns anos uma ditadura de
esquerda de fato for possível, tais pessoas não serão as primeiras a aplaudir
de pé? Se agora nos parece bom que centenas de pessoas compartilhem um vídeo ou
o link de um blog, no qual se divulga coisas que acredito serem importantes,
mesmo que o façam a-criticamente, não poderão ser estas mesmas pessoas que irão
nos excomungar socialmente caso daqui uns anos nós não coadunemos com a “vida
tal como ela está” e com “o mundo tal como ele se apresenta”? Não fariam conosco
como faz a rede Globo quando cria seus astros e depois os derruba
hipocritamente?
O compartilhamento em massa de
informações pela web não pode se dar
sem a formação crítica dos indivíduos que participam disso, caso contrário eles
serão mera massa de manobra – o que não é, em nenhum caso, um ganho para a
sociedade se pensarmos como Mill. E isso não pode ser diferente do caso de
intervenções urbanas, performances e
obras de arte engajadas, bem como das
diversas formas de manifestação política: não podemos nos dar ao luxo de
vaidosamente ambicionarmos aplausos e adesão à nossa causa em troca da
manipulação dos indivíduos por meio meramente das emoções.
(Ouro Preto, 11 de junho de 2012)
terça-feira, 5 de junho de 2012
Homossexualismo e natureza humana
Há quem queira defender que o
homossexualismo está errado porque é antinatural, mesmo que quem pense isso não
seja totalmente contra as pessoas que gostam de indivíduos do mesmo sexo e que
ajam de forma “tolerante”.
Em primeiro lugar, qualquer afirmação a
respeito da natureza humana só pode se tratar de uma conjectura, pois os
humanos são animais sociais, em cuja formação influi toda uma série de
elementos externos, de forma que não podemos com segurança separar aquilo que
seria naturalmente parte da “essência” humana e aquilo que é um construto
sócio-ambiental. Além do que, a razão constitui uma possibilidade para que os
seres humanos possam agir contrariamente aos ditames impulsivos de sua
natureza, e talvez isso sirva para a crença de que por isso há homossexualidade
entre os humanos, mas é algo que nos impede ainda mais de ter certeza a
respeito disso.
Não
obstante, há inúmeros exemplos de homossexualismo entre os animais considerados
irracionais (e por isso, animais que não podem agir diferentemente daquilo que
lhes dita sua natureza), e por isso eu diria que podemos pelo menos considerar
que temos indícios de que o homossexualismo é algo natural – uma vez que a
análise desses fatos precisaria ser entrelaçada com a análise de inúmeros
fatores, como por exemplo, a quantidade de animais do mesmo sexo, se os animais
de determinada área estão se reproduzindo ou não, etc.
De
qualquer forma, penso que o recurso a uma suposta natureza humana para tratar
de qualquer caso social está fadado ao erro: se formos fundamentar qualquer
crença com base em conjecturas, poderíamos, por exemplo, defender que o sexo
sem fins de reprodução da espécie é antinatural; que uma sociedade pacífica é
antinatural, pois os seres humanos seriam naturalmente violentos; que o roubo e
o assassinato não deveriam ser proibidos, uma vez que a lei da sobrevivência é
uma constante entre todos os indivíduos; e por fim, os velhos deveriam ser
assassinados, pois não têm o que contribuir com a sociedade (e a sobrevivência
desta é o que há de mais natural) e o amor por eles é antinatural, portanto.
(Ouro Preto, 28 de maio de 2012)
segunda-feira, 28 de maio de 2012
Conservadorismo e elitismo em relação à performance
Ridicularizar a dúvida de
quem pergunta é, em qualquer área, não só uma arrogância, como algo que pode
descambar para um elitismo, quando isso se torna barreira para o acesso ao
conhecimento sobre o que se dúvida – o objeto da pergunta. É também uma atitude
de conservadorismo, comparável àqueles românticos que, contra o racionalismo
revolucionário francês, queriam manter o irracionalismo da tradição místico-religiosa.
É uma atitude comparável às antigas seitas e ao que faziam os “sábios” videntes
da Grécia antiga: nada mais, nada menos do que impedir o acesso ao que se quer
saber aos não-iniciados – atitude contra a qual se voltaram primeiramente os
guerreiros gregos e em seguida os filósofos, e que é contrária ao principio de
isonomia que está na base da democracia e da racionalidade. Querer restringir o
uso da razão em relação a qualquer coisa terá sempre como conseqüência uma má
herança destas atitudes elitistas e conservadoras.
Quando alguém não entende, não conhece, o mais comum é ou
perguntar; quando a pessoa se cala, isto pode ser sintoma de uma timidez ou
medo de parecer menos inteligente que os demais “sabidos”. Pelo menos
“perguntar” foi o que todas as professoras nos ensinaram.
Mais recentemente há uma crescente onda de desprezo pelo
ato de perguntar: duvidar é “querer saber” (o que não vejo problemas), ou
melhor, “querer dominar” (e aqui entendo a crítica). Obter uma resposta,
pensam, significa se satisfazer, sentir um gozo por dominar o objeto de
conhecimento e poder utilizá-lo, obter uma definição que “fecha” a
possibilidade de novas definições e percepções por sobre o objeto, etc.
Ora, se isso tudo é verdade, eu não veria problemas em
sentir um prazer por conhecer um objeto (dominar); acho até mesmo natural ao
ser humano, uma vez que esse conhecimento foi possibilidade de sobrevivência da
humanidade por sobre a Terra – como pensam os sociólogos Theodor Adorno e Max
Horkheimer. E acredito que todo animal (classe da qual os humanos fazem parte)
gostam naturalmente de sobreviver...
Agora, se querer saber significa “querer dominar”, no
sentido de obter uma definição imutável e que leva a pessoa a acreditar que
sabe tudo sobre o objeto, então há um problema, já que quase sempre (ou sempre)
as definições dos seres humanos sobre as coisas estão equivocadas e precisam
ser revistas e porque nunca a fruição de um objeto pode se esgotar tão
facilmente.
Mas não parece
que seja verdade que seja assim. Uma pessoa que tem uma definição como resposta
a uma questão do tipo “o que é...?” não fica satisfeita e pensa saber tudo
sobre aquilo. Há, por outro lado, uma caricatura de que as coisas ocorram
assim, inspirada talvez por uma visão de que em uma sociedade como a atual, na
qual “a ciência ocupou o lugar que outrora foi da religião”, as pessoas se
satisfaçam com definições objetivas e “reducionistas” sobre as coisas. Bem, é
preciso demonstrar que as pessoas realmente ajam assim de forma tão estúpida
(algumas dezenas de exemplos me convenceriam); sabemos que, pelo menos os
cientistas não o fazem: se tomarmos o exemplo mais costumeiro, a “água”, vemos
que os cientistas não pararam suas pesquisas quando descobriram que a água é
H2O, pelo contrário, prosseguem buscando mais informações, com vistas até mesmo
de solucionar questões como reproduzir a água.
Na verdade não
acredito que haja definições suficientes para os objetos, ou seja, que um
objeto possa ser definido em todo o seu grau de potência. E isso não é nenhum
problema para o conhecimento ou para a possibilidade de nos comunicarmos.
Wittgenstein em suas Investigações Filosóficas diz algo que deveria parecer óbvio que
é o fato de que não precisamos de definições para saber o que significa uma
palavra. As pessoas geralmente não têm definições claras das palavras que
utilizam e isso não impede seu uso e a comunicação: para o filósofo, o
significado de uma palavra se dá no uso. Eu por exemplo não sei definir “amor”,
mas sei o que a palavra significa. E melhor ainda, sei utilizá-la de forma
eficaz! Sei distinguir “amor” de ciúme, de carinho, raiva, etc. E isso não me
leva a pensar que sei tudo sobre o amor. É possível até que se um dia eu
chegasse a pensar que sei tudo sobre o amor, eu estivesse enganado; é possível
que o amor se modifique ao longo do tempo e ao longo dos séculos, que seja,
pois, um conceito “aberto”, não passível de ser definido.
Assim, se
alguém me perguntasse o que é o “amor”, eu não saberia dar uma definição, mas poderia
tentar esboçar uma possibilidade de acesso para essa pessoa a partir de
características vagas. Como é possível que essa pessoa me entenda eu não sei, e
isso é motivo para muita controvérsia entre filósofos da linguagem. Mas o que
quero chamar atenção aqui é a possibilidade de darmos explicações sem esgotar o
objeto em uma definição “fechada”.
Da mesma forma
que não haja problemas para o conhecimento aqui, também não deveria haver o
temor de que a dúvida, o desejo de explicações, descambe para um reducionismo.
Porém, é o que ocorre muitas vezes, nas mais diversas áreas, mas muito
comumente nas artes, especialmente em relação às chamadas artes contemporâneas,
como por exemplo, a performance.
Talvez mesmo
porque haja um afastamento da arte contemporânea da sociedade (seja ele
justificado ou não – não cabe discutir aqui), há uma grande demanda de
explicações a seu respeito, inversamente proporcional à falta delas. Pelo que
dizem normalmente aqueles que são interrogados parece mesmo haver o temor acima
citado, que leva muitas vezes ao desprezo pela pergunta, figurado em uma tergiversação
em relação ao problema da suposta necessidade das definições demandada pela
sociedade cientificista.
Que esse temor
possa ser justificado por uma idéia distorcida de que a sociedade foi realmente
tão infantilizada pelo cientificismo (exceto, claro, tais pessoas), é
amplamente compreensível, porém, tal atitude apenas ratifica a situação atual
de afastamento das artes em relação às grandes massas, culminando não só na
repulsa pelo que há de mais avançado na arte contemporânea, mas no que é pior,
na sua esterilidade: naquela costumeira frase “ah, isso deve ser arte”, que no
fundo significa “isso não é pra mim”. E assim, coisas como a perfomance se tornam algo para os
“eleitos”, que co-participam em seu desconhecimento de uma definição rígida,
mas aos quais foi dada alguma porta de entrada, talvez porque, como “eleitos”,
não se temia que esperassem por uma definição “científica” de performance e lhes foram descritos
traços fundamentais a seu respeito, como por exemplo, o de que não pode ser
definida em um conceito fechado – o que não deixa de ser uma explicação
racional, mesmo que porventura mal feita.
E assim, podemos perguntar, por que é que algumas pessoas
podem receber alguma explicação enquanto outras não? Não querendo cair em um
erro comum às pessoas que realizam críticas, que é atacar supostas más
intenções subjetivas, em primeiro lugar, pois, não tenho acesso a elas e em
segundo porque não acredito que sejam ruins neste caso, suponho ser plausível
apontar que, de qualquer forma, fatos assim servem com sucesso ao
conservadorismo da sociedade dividida tradicionalmente entre as elites
culturais e as massas, embora a própria performance
art, como muito do que se faz hoje em arte contemporânea tenha surgido na
contramão disso tudo: mas é muito mais comum do que se imagina que o
conservadorismo e atitudes elitistas estejam amplamente intrincadas nas que se
pretendem revolucionárias.
(Ouro Preto, 24 de maio de
2012)
domingo, 20 de maio de 2012
Crimes de greve?
Terá alguém o direito de obrigar outra
pessoa a fazer algo que acredita ser justo?
Se
respondermos “não”, estaremos dizendo que nem Hitler, a Santa Inquisição, os
colonizadores espanhóis e portugueses, nem Che Guevara, Antônio Conselheiro e a
Revolução Francesa estavam justificados. Se, por outro lado, dissermos que
“sim”, estamos aceitando que qualquer pessoa tem o direito de fazer o que
quiser, desde que acredite que aquilo é justo – e isso não significa que a
coisa seja de fato “justa”. Em comum entre todas essas pessoas e movimentos, é
o fato de haverem um conjunto de crenças que acreditavam serem justas e que os
impulsionava a fazer algo para torná-las realidade. Tanto Hitler quanto os
românticos franceses acreditavam que seus ideais eram importantes e justos o
suficiente para, por meio de armas, serem colocados na sociedade, mesmo que
para isso precisassem massacrar quem fosse contrário.
Se
algumas pessoas têm forte tendência a aceitar que os revolucionários cubanos
tinham o direito de fazerem o que fizeram, é porque pensam que esses lutavam
por coisas justas, pois esses estavam se insurgindo contra um regime
autoritário e injusto, enquanto que terão tendência a pensar, por exemplo, que
os colonizadores da América não tinham o direito de impor aos índios seu modo
de vida, por isso se tratar de uma injustiça. Mas, e se retrocedêssemos no
tempo e começássemos a pensar como pensavam as pessoas daquela época,
acreditando ser justo a “humanização” dos índios, por diversos e loucos motivos?
E se fossemos alemães na época do surgimento do nazismo, não pensaríamos ser
justo o que fazia Hitler e sua corja de assassinos? Estaríamos, pois, justificados
a assassinar judeus e índios, coisas que hoje a maioria das pessoas pensa ser
errado? É claro que não e é por isso que ninguém está justificado a fazer
qualquer coisa somente porque pensa que essa coisa é justa. Há limites para a
liberdade.
Hoje,
é muito comum pensarmos que estamos justificados a nos levantar contra quem é avesso
ao ideário de esquerda. Trazendo para os acontecimentos desta semana – a greve
dos professores da Universidade Federal de Ouro Preto –, pensamos estar
justificados a interromper a aula de qualquer professor que esteja “furando” a
greve, pois esta é justa, mesmo que assim firamos sua autonomia e sua crença de
que o “justo” é que ele continue com suas aulas.
Ora,
de fato, um “fura-greve” parece causar alguns danos ao movimento que
acreditamos ser justo.
Em
primeiro lugar, nos parece justo lutar contra o afastamento da academia da
“tarefa da reflexão e da produção de conhecimento que beneficiem a sociedade
como um todo. Temos uma universidade debilitada, avaliada não mais em razão de
sua função social e cultural de caráter universal, mas centrada na
particularidade das demandas do mercado, na pedagogia dos resultados e
produtivismo” (retirado do Boletim do
Comando Local de Greve, de 16 de maio de 2012). Há uma série de pesquisas
que se dedicam a demonstrar que o Ensino, reduzido ao seu valor instrumental, acaba
por formar pessimamente seus alunos, entre os quais indico o texto do professor
do departamento de filosofia da Universidade Federal de Ouro Preto, Desidério
Murcho, “Pra que serve o ensino?” (disponível em: http://criticanarede.com/ens_valor.html).
Um dos objetivos principais da greve é
forçar uma discussão com o governo a respeito da má qualidade de ensino e
produção de pesquisa e conhecimento praticada hoje nas universidades públicas
brasileiras, uma vez que não há no nosso país o debate público de idéias, sobre
bases racionais, senão quando há uma pressão da opinião pública ou alguma
interrupção de serviços.
Nesse
sentido, a proibição de qualquer atividade de ensino durante a greve – decidida
sob deliberação democrática dentro da Associação dos Docentes (ADUFOP), isto é,
mediante uma votação em que a maioria ganha –, atende ao seguinte pensamento: a
ininterrupção das atividades de ensino por parte de algum professor ou de um
grupo de professores pode enfraquecer o movimento, tanto perante a opinião
pública e a imprensa, como causar insegurança. De fato, o movimento grevista
tem mais força de negociação e discussão com o governo caso seja coeso.
Talvez possamos questionar se a decisão
de um ou outro professor de não
aderir à greve, pode realmente causar dano tão grande ao movimento:
aparentemente não, desde que não se torne uma prática largamente realizada. E
assim, analisando o peso dos danos individuais, parece que o dano à liberdade
do professor é maior do que o infligido ao movimento de greve. Podemos sim,
acreditar que tal professor age erroneamente, pois não aceita a autoridade do
que foi decidido democraticamente, e assim, transgride a “lei”. É assim que as
coisas funcionam em uma democracia e tal professor deve respeito ao que foi
decidido em assembléia, tenha ele participado dela ou não. Mas por outro lado,
ao longo da história, consideramos como “heróis” indivíduos que se levantaram
contra decisões da maioria, por considerá-las injustas – não me parece o caso,
mas a humanidade sempre se enganou a respeito de coisas parecidas.
Porém,
um professor que decide dar aulas durante o período acadêmico, à revelia da
suspensão do calendário acadêmico, acaba por prejudicar aos alunos, uma vez que
este terá ainda outras disciplinas para terminar quando do fim da greve. Sem
contar que o aluno deverá aceitar essa decisão do professor por sua figura de
autoridade e por temor de ser “marcado”. E aqui há um dano sério à liberdade do
aluno.
Assim,
nos parece totalmente justo e justificado proibir o “fura-greve” de exercer
atividades de ensino (lembrando que atividades de pesquisa, orientações e
algumas aulas são permitidas, mediante informa à ADUFOP) – e isso eu digo
àqueles que como eu apóiam a greve e se sentem ofendidos com os “fura-greve”.
Ora,
mas se estamos justificados a fazer isso, estariam outros grupos que se
organizassem democraticamente também justificados a, por exemplo, obrigar os
professores a retornarem às aulas, pois isto lhes parece justo? Se os discentes
houvessem, ao invés de apoiado a greve, ido contra ela por pensar que ela fere
seus direitos, poderíamos retirar os professores de seus lares e sob gritos
levá-los até dentro da sala de aula?
É
obvio que não pela lei, já que há o direito à greve por parte dos professores,
enquanto não se pode forçar seu fim senão por alguma decisão judicial. Mas
enquanto falamos de liberdade e justiça em um sentido mais profundo que nem
sempre coaduna com o que está expresso na constituição – várias vezes
considerada injusta e por isso mutável –, podemos perguntar por um direito mais
amplo de qualquer pessoa fazer aquilo que bem entenda, desde que isso não cause
danos a outrem, o que parece totalmente defensável.
E
aqui há uma grande dificuldade de avaliarmos quem tem mais direito, uma vez que
a prática generalizada de “furar” a greve pode causar grandes danos ao
movimento e aos alunos, como também a imposição da greve por sobre os
“fura-greve” causa também um dano à sua liberdade pessoal.
A
única saída que consigo pensar para isso é o diálogo com os fura-greve, de
forma a tentar convencê-los – que na realidade é a diretriz que o Comitê de
Greve se propôs a seguir. Porém, caso contrário, precisaríamos esquecer os
problemas filosóficos, aceitar que podemos errar, e aceitar a injustiça que é
imanente à democracia majoritária: talvez nunca ao longo de sua história tenha
havido consenso a respeito de nenhuma de suas decisões e isto significa, em
ultima instância, que sempre houve quem tivesse sua liberdade diminuída em
relação a algum assunto. Porém, não conheço outra forma de se modificar as
coisas.
Neste caso, que vença a democracia... E
neste momento, ser democrático é respeitar o que foi e for decidido nas Assembléias
de Greve.
(Agradeço aos grandes amigos Aluízio Couto e Sagid
Salles pelos questionamentos – na verdade grande parte dos que estão acima –
que deram fruto a esse texto, com o qual eles provavelmente não concordarão. E
assim discordaremos mais uma vez, e mais uma vez discutiremos. Mas é assim
mesmo que se faz filosofia seriamente: talvez a maior demonstração de respeito
à Liberdade e à Tolerância que já tenha existido!)
(Ouro Preto, 20 de maio de 2012)
segunda-feira, 7 de maio de 2012
O "Transfira UFOP" e a (des)mobilização dos estudantes
Em uma época de forte adesão popular aos
discursos sobre ser politicamente correto, na qual toda e qualquer coisa deve
provar sua utilidade por meio da associação com o que é socialmente bom e
bonito, uma época em que toda pessoa pode participar de tudo o que é
“revolucionário” desde que ligada às redes sociais, mediante um clique com o mouse, mudar o mundo parece fácil
demais. Um elemento importante para isso estaria dado: o interesse popular pela
justiça social.
Se
as revoluções de nossa história mais recente mostram que a participação popular
determina ou não seu sucesso – a russa fracassou por ter sido imposta pela
“elite das massas”, sem o apoio popular para se manter; as primaveras árabes e
as ocuppy têm tido sucesso justamente
por surgir do povo –, a adesão de grande número de pessoas a qualquer movimento
que pareça justo, pode ser enganosa.
As já rotineiras marchas iniciadas por meio
das redes como o facebook – pelo
menos as brasileiras – demonstram que a mobilização popular no mundo real é
muito menor que o número de participantes
do evento criado na web. O seu
poder é grande, mas muito menor do que poderia ser caso houvesse de fato a
participação de todos os que diziam participar.
Aparentemente,
tem ocorrido algo semelhante com o Movimento
Transfira UFOP. Esse movimento,
iniciado por conta de alguns alunos da Universidade Federal de Ouro Preto, tem
como premissas que a transferência dos títulos de eleitor por parte dos alunos
da UFOP para a cidade de Ouro Preto, não só dará mais poder de reivindicação ao
poder publico por parte dos alunos, como conscientiza os estudantes “sobre a
importância da participação política na comunidade onde ele vive” (retirado da carta-proposta do movimento).
É
obvio e qualquer pessoa (notadamente estudantes) concorda que é importante ter
voz ativa com o poder público e que seria muito bom que todos fossem “cidadãos
conscientes” e participativos na vida política de suas comunidades, ainda mais
em uma Universidade na qual a alienação da vida pública parece atingir níveis
mais altos que em outros meios universitários. Desta forma, poderíamos
concordar com o movimento sem maiores problemas. Tampouco aqui, não é sua
legitimidade ou importância que queremos colocar em causa.
Quanto a primeira premissa, não há muito
o que se dizer; talvez somente questionar se de fato os estudantes irão
utilizar esse “poder” conquistado ou se acreditarão que, elegendo alguém para
os representar, já terão cumprido seu papel de “cidadão”. Não pretendemos ser
alarmistas quanto a isso e nem prever o futuro, mas a experiência do que
comumente ocorre é o suficiente para nos deixar “duvidosos”.
Da
mesma forma, a segunda não levanta menos dúvidas que só poderão ser respondidas
no futuro. Porém, neste caso, já há indicativos maiores de que os estudantes
não irão participar da política da comunidade ouropretana. Dizemos isso com
base na (des)mobilização intensa em torno de uma possível greve por parte de
professores e servidores técnico-administrativos da Universidade, associada a
um movimento, por parte dos estudantes, de volta para casa durante a greve.
Já
que os estudantes depois de transferirem seus títulos de eleitos passam a
participar da vida política, não seria o caso dos universitários se
mobilizarem, a favor ou contra, em torno da causa da greve? Mas pelo contrário,
já transparece nos diálogos pelos corredores da UFOP e nas repúblicas que os
estudantes precisarão voltar para suas cidades. Ora, mas a idéia não
é a de que agora são cidadãos ouropretanos? Quando, senão em uma greve, é o
momento para os estudantes iniciarem sua participação política? O único momento
“político” da vida universitária são as eleições municipais?
Como
dissemos, não se pretende aqui vaticinar o insucesso do Transfira UFOP, mas uma coisa é óbvia: se, de fato, as coisas
ocorrerem como se preparam para ocorrer em torno da greve prevista para o dia
17 de maio, o movimento de transferência do título de eleitor parece tender à
semelhança com o mero clicar em “curtir”, “compartilhar” e principalmente com o
“participar”, embora um pouco mais trabalhoso.
(Ouro Preto, 7 de maio de 2012)
quinta-feira, 12 de abril de 2012
autobiografia
Folheando um caderno em busca de um fichamento encontrei um texto autobiográfico que escrevi há alguns anos atrás. Não se trata de um debate no formato do blog, mas mesmo assim o reproduzo abaixo:
Costumava se definir como curva. Uma curva tão curvilínea que no seu meio havia retas! Possivelmente dizia isto para impressioná-los. Talvez esperasse por aplausos. A verdade mesma é que nunca havia dito isto. Somente uma vez, na tentativa de fazer um poema com jogos de palavras. Era bem afeito aos jogos de palavras e só começava um texto quando pensava algo que achava poético. “Como nos inícios de textos famosos”. Por isso não iniciava muitos textos... Gostava de impressionar. Ou talvez nem gostasse, mas se sentia obrigado a ser algo. Novinho, diziam dele “– É bonzinho, educado e inteligente!” Se sentia não merecedor daquilo. Sabia-se a si mesmo. Era tímido, bobo e fracote. Mas esperavam dele. Gostavam dele mesmo que não abrisse a boca. Tinha mesmo é nascido pra ser grande; pra ser “star”, como lhe disseram certa vez. Então ele era: um dia foi príncipe, outro dia cantor... ele mesmo era quase nunca. E até quando o era, vivia de fora; tinha uma “meta-vida”, como gostou de definir uma vez para impressionar-se. Talvez por isso fosse tímido: antes de viver tinha imaginado e reimaginado a situação 10 vezes. Ou então era tímido mesmo pelo medo de que o descobrissem. “Era grande coisa nenhuma!” Por isto, exceto perto dos amigos mais próximos (não tinha muitos amigos), era quase mudo; perto dos pais era quieto, deixava que seus amigos fossem mais deles do que de si próprio. Realmente sabia, pouco merecia o que tinha. Haviam se enganado! Mas não ia ser ele que ia mostrar a verdade. Tinha medo de ser normal. Durante um tempo até pensou que era mesmo aquilo que lhe falavam. Tinha projetos! Quer dizer, meios-projetos que chegou a levar a frente. Meios-projetos grandes: o reconheciam.
quinta-feira, 8 de março de 2012
para o dia internacional das mulheres
Nesse dia internacional das mulheres, desejo que a tão sonhada igualdade continue sendo cada vez mais consquistada, não só no ambito formal, mas de fato... Uma igualdade que signifique que as mulheres e homens não se pensem como algo que tende a alguma coisa, simplesmente pelo fato de serem de sexos diferentes.
Mas, mais do que isso, desejo mesmo que as mulheres não se tornem homens. Não que elas não tenham direito a isso; pelo contrário, que elas estejam cada vez mais se aproximando da figura do homem machista, babaca, insensível, é representativo de que cada vez mais as mulheres estão conquistando direitos e perdendo outros: o direito de serem mulheres femininas. Direito este também perdido pelos homens.
Se históricamente a sensibilidade, a doçura, o cuidado, foram relegados ao "feminino", e isto constituiu em grande parte a "prisão de gênero", do qual as mulheres eram impedidas de escapar; por outro lado, a saída menos desejável pra isso é que as mulheres se tornem homens - e assim teriamos um retorno ao mundo masculino.
O ideal seria que a igualdade fosse consquistada também numa mudança dos homens e por uma dissolução das barreiras de gênero, sem que isto implique em perda do que há de melhor nas mulheres e nos homens - isto é, que os homens se tornassem mais parecidos com as mulheres e vice e versa.
(Ouro Preto, 08 de março de 2012)
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
sem título
Em quando eu era pequeno, a fessora sempre dizia pra perguntar quando não a tivesse compreendido.
Agora de grande, não pode. É pecado.
não obstante, sempre tem um mais espertalhão que entende e que completa o entendido com algo que se faz ainda menos entender. Ou igual. O resto, ou se faz de entendido ou se resigna, incólume.
Os artistas vieram prontos pro mundo, tem que deixá-los ali; entender, resignar, aguardar. Não perguntar. São seres alados. O resto não. O resto é bosta. Burro, quer entender.
Queria ser artista.
Não pela arte. a arte eu bebo eu como eu cheiro.
mas por isso ae
(Pouso Alegre, 13 de janeiro de 2012)
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Quanto a pensar e emitir opinião
Se as escolas antigamente valorizavam o aluno comportado e “quieto”, que meramente ouvia, hoje parece haver, não só na escola como popularmente, um incentivo a que todos falem e expressem sua opinião: a que todos tenham uma opinião sobre todo e qualquer assunto. Talvez visando o incentivo ao uso crítico e autônomo do pensamento
Ora, mas ter uma opinião é muito diferente de fazer uso crítico do pensamento, isto é, de pensar realmente.
Ora, mas ter uma opinião é muito diferente de fazer uso crítico do pensamento, isto é, de pensar realmente.
Os blogs e redes sociais da web são lugar privilegiado para que se possa notar isso. Enquanto estes dotam os indivíduos do poder de dizer ao mundo aquilo que pensam, por outro lado, pouco se vê alguém que de fato faça uso de um pensamento crítico: é sempre mais do mesmo, grosserias, arrogâncias, opiniões heterogêneas “compradas” para combinar com idiossincrasias... como se aquilo que se diz fosse obvio – “como ninguém pensou nisso ainda?!” – e o restante não passasse de idiotices.
Trazendo para o exemplo pessoal – meu estudo da filosofia de Theodor Adorno –, vejo atitudes semelhantes em relação ao incomodo da teoria crítica e seu diagnóstico, especialmente, da indústria cultural, amplamente divulgado no contexto brasileiro: acusações ressentidas de que Adorno errou ao criticar o Jazz, de que é culturalmente conservador, etc. Não farei aqui uma defesa de Adorno – há elementos suficientes em sua teoria para isto –, tampouco tais acusações me incomodam. Gostaria somente de chamar atenção para a atitude arrogante presente nisso: do “como ninguém pensou nisso antes?!”, na falta de uma mera dúvida a respeito do porque, se tal filósofo é tal facilmente “derrotado”, pessoas dedicam vidas inteiras a estudá-lo, etc. O fato de que pelo menos semanalmente alguém me dizer algo do tipo, com a mesma expressão “intelectual” no rosto, deve mostrar algo sobre isso... Em suma, o problema está na atitude pouco crítica e extremamente arrogante de se pensar o único ser dotado de razão e emitir juízos sobre os quais não parece pairar o mínimo de um pensar arrazoado: uma estupidez que se pensa inteligência.
Se a web possibilita o uso público da razão, falta para que isso ocorra, portanto, dificultá-lo. Pois do contrário, na banalidade de sua facilidade, se mostra impedido pela arrogância, pela preguiça e pelo imediatismo de se acreditar "o sujeito inteligente".
Trazendo para o exemplo pessoal – meu estudo da filosofia de Theodor Adorno –, vejo atitudes semelhantes em relação ao incomodo da teoria crítica e seu diagnóstico, especialmente, da indústria cultural, amplamente divulgado no contexto brasileiro: acusações ressentidas de que Adorno errou ao criticar o Jazz, de que é culturalmente conservador, etc. Não farei aqui uma defesa de Adorno – há elementos suficientes em sua teoria para isto –, tampouco tais acusações me incomodam. Gostaria somente de chamar atenção para a atitude arrogante presente nisso: do “como ninguém pensou nisso antes?!”, na falta de uma mera dúvida a respeito do porque, se tal filósofo é tal facilmente “derrotado”, pessoas dedicam vidas inteiras a estudá-lo, etc. O fato de que pelo menos semanalmente alguém me dizer algo do tipo, com a mesma expressão “intelectual” no rosto, deve mostrar algo sobre isso... Em suma, o problema está na atitude pouco crítica e extremamente arrogante de se pensar o único ser dotado de razão e emitir juízos sobre os quais não parece pairar o mínimo de um pensar arrazoado: uma estupidez que se pensa inteligência.
Se a web possibilita o uso público da razão, falta para que isso ocorra, portanto, dificultá-lo. Pois do contrário, na banalidade de sua facilidade, se mostra impedido pela arrogância, pela preguiça e pelo imediatismo de se acreditar "o sujeito inteligente".
Dotar formalmente o indivíduo de um aparato crítico, como o que a lógica filosófica traz, se tornaria, pois, importante. Porém, não bastaria: a mera detenção de instrumentos para o “pensar correcto” não torna ninguém crítico e produtor de pensamentos realmente autônomos. Isto é, um expert em lógica não necessariamente pensa: raciocinar, utilizar formas ou formulas e aplicá-las por sobre o objeto a ser pensado é muito diferente de pensar.
É preciso que o indivíduo (agora “sujeito”) passeie pela complexidade do pensamento, por suas mais diversas perspectivas e nuanças, para perceber que nada é tão simples quanto alguém pretende que seja; que se dedique a entender argumentos complexos, para que perceba a densidade mesma dos objetos e dos diversos assuntos; e assim, que possa construir reflexões realmente inteligentes, capazes de ir além do “sempre o mesmo”, do raciocínio simplista e dualista, do “não gosto, portanto não é bom e por isso compro tal argumento”. E assim estará pensando verdadeiramente - a partir talvez do pensamento dos outros - mas de forma realmente crítica e autônoma. Isto, se pode aprender tanto conversando com os mais velhos, com pessoas “simples” porém sábias, quanto estudando filósofos como Adorno, Horkheimer, Marcuse, Hegel, Platão, Deleuze, Hume, Kant... Isto é, estudando a história do pensamento filosófico ocidental, no embate de opiniões realmente complexas.
Para evitar dúvida: trata-se, pois, de dificultar a expressão de idéias, não pela censura, mas buscando dar a todo indivíduo a possibilidade de pensar por si mesmo e não somente reproduzir o que outrem pensa: que pode ser, inclusive, contrário àquilo que o indivíduo realmente pensaria.
É preciso que o indivíduo (agora “sujeito”) passeie pela complexidade do pensamento, por suas mais diversas perspectivas e nuanças, para perceber que nada é tão simples quanto alguém pretende que seja; que se dedique a entender argumentos complexos, para que perceba a densidade mesma dos objetos e dos diversos assuntos; e assim, que possa construir reflexões realmente inteligentes, capazes de ir além do “sempre o mesmo”, do raciocínio simplista e dualista, do “não gosto, portanto não é bom e por isso compro tal argumento”. E assim estará pensando verdadeiramente - a partir talvez do pensamento dos outros - mas de forma realmente crítica e autônoma. Isto, se pode aprender tanto conversando com os mais velhos, com pessoas “simples” porém sábias, quanto estudando filósofos como Adorno, Horkheimer, Marcuse, Hegel, Platão, Deleuze, Hume, Kant... Isto é, estudando a história do pensamento filosófico ocidental, no embate de opiniões realmente complexas.
Para evitar dúvida: trata-se, pois, de dificultar a expressão de idéias, não pela censura, mas buscando dar a todo indivíduo a possibilidade de pensar por si mesmo e não somente reproduzir o que outrem pensa: que pode ser, inclusive, contrário àquilo que o indivíduo realmente pensaria.
(Ouro Preto, 13 de dezembro de 2011)
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Dialética da imparcialidade
Sem certa objetividade, certa assimetria a favor do objeto (primazia do objeto), todo conhecimento seria mera tautologia, mera repetição (parafraseando Adorno). Se tudo é transferência do sujeito por sobre o objeto, é difícil até imaginar como seria possível qualquer formação de uma frase... Isto sem contar, que defender uma total parcialidade significa defender ou a possibilidade de um sujeito transcendental, algum tipo de essência humana, ou, pelo menos, um sujeito se dê de forma não cultural, fechado em si mesmo, talvez já predefinido pela genética (o que também não é algo que transcenda menos a experiência)... Uma vez que, se não fosse assim, uma coisa anularia a outra: se há um tipo de objetividade que influencia na formação do individuo, pra onde iria essa objetividade na hora em que o conhecimento está sendo construído? Porém, supor que o ambiente (o objeto, portanto) não influencia na formação do indivíduo é excluir a realidade, uma vez que há muitos exemplos de que subjetividade e sociedade se interpenetram: meninos-lobos, Kasper Hauser, gêmeos, etc.
Há sim, portanto, certo tipo de objetividade, o que torna possível um tipo restrito de imparcialidade: notadamente, aquela em que a pessoa aceita ou até mesmo pensa por contra própria, algo que vá além de seu ponto de vista, visões contrárias, por vezes melhores, e que sirvam para ela própria mudar de opinião. Há de existir certa objetividade/imparcialidade ou não seria possível o pensamento dialético. O que, perceptivelmente, existe.
Que isso não signifique que a imparcialidade como um todo, utópica, jornalística, exista; especialmente sem boa vontade e sem uma grande dose de vaidade – o que, em última instância, nem nos santos... Claro que há algo de subjetivo (e, portanto, de constructo socio-biológico), da constituição física e mental, do “estomago” como diria Nietzsche, na formação dos juízos de gosto, na eticidade inerente à pessoa, nas escolhas, nos pontos em que não se arreda o pé, “no quanto de verdade a pessoa agüenta”, na tendência política, etc. Mas isso não deve significar a impossibilidade da dialética, ou seja, do pensamento, da educação e da transformação social.
A questão é que, numa sociedade verdadeiramente democrática e racional, essas irracionalidades (o subjetivo, corpóreo, o “pessoal”) deveriam vir à tona antes de qualquer exposição ou defesa pública de opiniões, e não, ao invés disso, ser mascarada sob a aparência de objetiva e imparcial. Mas, quem é que nota que não está sendo imparcial quando se é parcial?
“Conhece-te a ti mesmo”, diria Sócrates. Isto deveria significar (para educadores – construtores da mudança): “conheça seu próprio corpo, suas próprias paixões, sua subjetividade” e, somente depois, “tente pensar de forma não egoísta e preconceituosa... objetiva, enfim”.
(Ouro Preto, 29 de setembro de 2011)
(Ouro Preto, 29 de setembro de 2011)
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
La vie en Rose
O quanto o mundo dominado pela razão que se acredita eficiente somente a partir de uma frieza e imparcialidade (falsas), constituído e construído a partir das proposições meramente masculinas em detrimento do feminino (e nesse caso nem precisamos fazer diferença de sexo biológico, embora essa também fosse verdadeira, não obstante a falsidade dessa divisão), exclui a sensibilidade e o não idêntico (em termos principalmente do diferente da maioria estatística), poderia ser atestado, especialmente pelos indivíduos do sexo masculino, quando estes passam algumas horas somente rodeamos por homens. A conversa nos meios masculinos (barbeiros, botecos, repúblicas masculinas, etc.) é a mais banal possível, a mais comum; inclui desde futebol, até piadinhas homofóbicas – o que de fato não nos dá uma grande amplitude de assuntos, talvez dois ou três a mais. Se a conversa é em frente à TV, não raro será interrompida por uma exclamação grosseira de um estranho desejo sexual pelas “gostosas peitudas” ou “bundudas gostosas”, seguido por adjetivos como “vagabunda”, “vadia” entre tantos outros; programas que fazem chorar serão sempre “chatice”, seguidos de olhares pra ver quem se emocionou; o que não é diferente em relação aos programas educativos e politicamente corretos: “chatice”.
O assunto, quando em bando (não é demais lembrar que “bando” e “bandido” têm a mesma etimologia), nunca será sobre “fraquezas”: não há espaço para desabafos, amores, tristeza... Enfim, nunca se podem demonstrar sinais de “bixice”. De tanto conviverem entre si, acrescente-se, reprimidos, acreditando que um pouco de elegância na fala, na postura corporal, um pouco de individualidade que se permita “fraquezas”, depõe contra sua masculinidade (o que também é estranho que alguém deseje ter), deixam mesmo de conseguir se expressar, de entender a si mesmos, até não sentir mais, e então, não entenderão mais nada: para que são importante políticas públicas de inclusão, leis contra preconceitos, etc. Em detrimento disso tudo, serão favoráveis às políticas que propõem solucionar tudo a partir da violência, como a partir do BOPE, do controle de natalidade para famílias de baixa renda, da diminuição da menoridade penal, etc. – medidas tipicamente masculinas, idênticas ao longo da história. Por isso uma saída péssima seria que o feminismo (felizmente cada vez mais refinado) se assemelhasse ao machismo, que a imagem da mulher “moderna” reproduza a do homem prático, do empresário de sucesso, do individuo bem resolvido, do homem rígido, isto é, da insensibilidade, da dominação de si em detrimento da vida pessoal.
A boa noticia é que o “macho dominante” tende, por enquanto, a desaparecer. Sinais disto dão a chamada “geração Y”, com seus (nossos) blogs, e seu “egoísmo” e a crescente onda do politicamente correto, que ao menos publicamente envergonha (pela primeira vez na história) o reacionarismo típico dessas figuras.
O título dessa nota cantava Edith Piaf. E assim dava dicas para o vindouro desenvolvimento dessa questão...
O título dessa nota cantava Edith Piaf. E assim dava dicas para o vindouro desenvolvimento dessa questão...
(São João del Rei, 5 de setembro de 2011)
domingo, 14 de agosto de 2011
Um parágrafo para um estudo sobre valor cognitivo da arte
Ao observar, por exemplo, a fotografia de Chaplin e a multidão (acima), me vêm várias coisas na cabeça. Coisas que remetem a indústria cultural, as guerras mundiais, o americanismo, o american way of life, a alegria e liberdade artística, a submissão das pessoas, o sistema de estrelato, a idolatria... e talvez várias outras coisas que eu não consiga nem encontrar uma palavra chave. Eu não sei exatamente o porquê a fotografia me remete a tais coisas (talvez não saber, nesse caso, seja a alma do negócio). Mas com certeza, ela agrega algum tipo de conhecimento ao que eu sei sobre aquelas coisas; não um conhecimento em sentido da epistemologia, discursivo, mas algo sensível. É provável que se eu não tivesse um conhecimento prévio acerca de tais assuntos que a fotografia me remete, ela não passaria de percepção; então esse tipo de conhecimento o deixaria de ser – no caso da indústria cultural isto fica bem óbvio, e também, saber que é Chaplin, pois me faz adivinhar a época.
(Ouro Preto, 11 de julho de 2011)
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
uma crítica à Lady Gaga
(Lady Gaga no clip de Telephone)
Lady Gaga é uma pessoa bem interessante, uma vez que encontra adeptos (fãs) que vêm de todos os segmentos (leia-se, os cults e os “comuns”); por isso não é difícil ver alguma pessoa do meio artístico, filosófico e coisas que tais (cults) louvando-a como algo que escapa ao esquema da música de massas (da chamada indústria cultural – termo que facilita muito o entendimento); agindo em relação a ela como algo a que podem se dar ao luxo de se igualarem às massas, de perder a postura blasé e se “divertir” sem compromisso (algo que a música cult não o permite com tanta desenvoltura).
Sem dúvida alguma há algo diferente na cantora (ou estrela; não sei bem se ela canta ou se é tudo eletrônico, já que em cada música a voz dela é diferente); o fato de parecer realizar uma crítica em suas letras e clips, algo que as suas semelhantes não o fazem, é notório. É por isso que uma vez um crítico de arte de um jornal mineiro disse que Lady Gaga realizava uma “resistência dentro do sistema”, termo que vêm do francês Deleuze.
Eu tendo a discordar e gostaria de ter a oportunidade de desenvolver mais o assunto, tendo em vista o termo de indústria cultural e o de apropriação que Adorno diz que ela realiza, que é o que parece ocorrer aí – mercadoria disfarçada de arte.
O que me dá indicativos de que algo do tipo ocorre aí é uma questão da recepção de suas obras. Quando o público cult recebe suas músicas/clips ele, obviamente, nota a crítica, a ironia que existe ali – até porque estão acostumados/treinados a encontrar esse tipo de coisa (são formados, estudados); mas me parece (com base em percepção empírica) que os fãs de música eletrônica pop (aqueles que ouvem tanto Gaga – uma feminista – quanto aquelas pessoas que ela parece criticar – mulherzinhas como a Britney) não parecem ser modificados por isso; não parecem absorver aquela crítica; se mudam é algo puramente formal: ou seja, copiam as roupas, cabelos, gestos, tornam-se uma Lady (com o perdão do trocadilho que possa haver aí). Se absorvem a crítica, entenderão talvez que a “raça homem” deve ser pisada.
Adorno fala sobre a importância da forma estética, que é o mecanismo através do qual a obra pode realizar uma crítica sensível da sociedade... É o que parece faltar no caso da Gaga: quem ouve sua música na radio e não sabe que é ela que está cantando ou não entenda inglês, não notará diferença alguma entre ela e a Britney ou a Madonna. Isto porque falta à obra uma crítica objetiva, substancial, da qual seja impossível escapar, que incomode até mesmo aquele espectador mais cético e frio – que é o que parece haver com as obras de arte.
Uma pesquisa sobre a recepção de sua obra, sobre o que faz com seus ouvintes era algo necessário para provar que ela realiza uma resistência dentro do sistema ou que não seja mais uma mercadoria muito mais bem feita que as outras, uma vez que “agrada a gregos e troianos”.
(Pouso Alegre, 03 de agosto)
(Pouso Alegre, 03 de agosto)
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Energia, vibe, tipo assim...
A filosofia deve dar conta de dialogar com modismos da linguagem, ruídos e gírias, sob o risco de não mais realizar o princípio de isonomia sobre o qual foi construída, sob o risco de recair num tecnicismo autoritário típico das seitas secretas e da religião. O filósofo profissional ou estudante de filosofia deve estar atento ao fato de que nem todo mundo domina os conceitos filosóficos; deve saber que mesmo dentro da filosofia há discordância de significados e usos diversificados dos conceitos; e que, principalmente, isso não impede ninguém de fazer filosofia. Pelo contrário, aquela pessoa que não consegue entender algo que fuja do significado dicionaresco – ou seja, aquele que é dominado pelos conceitos – que não pode fazer filosofia, uma vez que esta própria é contrária às coisas estabelecidas, exatas... Não há nada que seja imune à razão filosófica, é isto que estão esquecendo. E se eu quiser dizer com, por exemplo, “energia”, “vibe”, “isto é do caralho!”, etc. coisas interessantes? Devo ser desconsiderado? Se sim, isto tem um nome: falácia ad hominen!
(Ouro Preto, 11 de julho de 2011)
O mesmo vale para toda pessoa “politizada” (ativistas sociais, ecologistas, feministas, educadores) que do alto de uma arrogância, disfarçada de simplicidade que aceita tudo o que vem das classes baixas, quase que vai a loucura quando alguém usa uma palavra “proibida”, considerada por eles como politicamente incorreta, carregada de um sentido negativo... Como se todas as pessoas fossem culpadas de não saber que, nos últimos, 15 minutos, no último congresso de educação, proibiu-se aquele uso... Como se fossem culpadas da história (a maioria não teve nem chance de ser culpada ou não).
(Pouso Alegre, 01 de agosto)
Sobre o tema, encontrei algo ótimo de Simon Blackburn, no prefácio do dicionário Oxford de Filosofia (aparentemente, algo que as pessoas com quem discuto acima consultam):
“A filosofia, por sua natureza, habita em áreas de ambiguidade e perplexidade, lugares onde, na expressão de Russell, só encontramos fragmentos incertos de sentido. Os filósofos constroem sua reputação contestando sentidos: o sucesso consiste muitas vezes em mostrar que seus predecessores compreenderam mal as categorias de experiência, razão, demonstração, percepção, consciência, virtude ou lei. Tais discussões são intrinsecas e extensas. As filosofias, como os movimentos do pensamento em geral, exigem longas formulações e resistem a definições ligeiras.”
Descrição original do blog (+ de 500 caracteres)
Já perdi muitas anotações em gavetas de escrivaninhas e guarda roupas - este blog deve ser mais seguro!
Embora um diálogo possa ser feito em um papel ou mentalmente com interlocutores diversos, eles tendem a se enriquecer se estão sempre à vista ou com a adição de mais perspectivas.
Além disso, filosofia é, sim, argumentação, discussão, mas é também questionamento. E quando estamos desenvolvendo um tema, argumentando, pesquisando, somos obrigados a deixar questões de lado, sob o risco de não mais fazer filosofia, isto é, de não pensarmos em questões filosóficas, cumprindo apenas uma parte do que nos pede a filosofia, de nos tornarmos especialistas, pela obrigação de não pensar em nada que não estejamos completamente embasados – perdendo o pensamento fresco, livre.
Esses escritos são aquilo que não quis deixar perder, mesmo sob o risco de ser bobo.
Este blog também pode ser bom pra isso!
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